“É chegada a hora de inverter o paradigma: mentes que amam e corações que pensam.” Barbara Meyer.

“Se você é neutro em situações de injustiça, você escolhe o lado opressor.” Desmond Tutu.

“Perdoar não é esquecer, isso é Amnésia. Perdoar é se lembrar sem se ferir e sem sofrer. Isso é cura. Por isso é uma decisão, não um sentimento.” Desconhecido.

“Chorar não significa se arrepender, se arrepender é mudar de Atitude.” Desconhecido.

"A educação e o ensino são as mais poderosas armas que podes usar para mudar o mundo ... se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar." (N. Mandela).

"As utopias se tornam realidades a partir do momento em que começam a luta por elas." (Maria Lúcia Karam).


“A verdadeira viagem de descobrimento consiste não em procurar novas terras, mas ver com novos olhos”
Marcel Proust


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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Justiça Restaurativa Sistêmica: supera a ideia punitivista e é ainda mais inovadora

Justiça Restaurativa Sistêmica: supera a ideia punitivista e é ainda mais inovadora

Certamente você conhece a Justiça Restaurativa, uma técnica utilizada para solucionar conflitos, onde autor e vítima se aproximam, buscando restaurar as relações e os eventuais danos sofridos.
Esse conceito comumente utilizado para designar a Justiça Restaurativa, surge da Resolução 12/2002 da ONU, que apresenta algumas característica do que vem a ser o instituto. No Brasil, mais recentemente, o CNJ, por meio da Resolução 225/2016, também buscou traçar algumas diretivas, não se distanciando do documento da ONU.
Da mesma forma você também já deve ter lido ou vivenciado a aplicação sistêmica do direito, ou as constelações familiares aplicadas no judiciário.[1] É um método fenomenológico, apresentado por Bert Hellinger e embasado nas leis sistêmicas da hierarquia, pertencimento e equilíbrio.
A proposta aqui não visa discutir a Justiça Restaurativa, tampouco abordar o movimento das constelações familiares no judiciário, mas apresentar uma proposta de correlação entre ambos, o que pode ser útil na busca por uma cultura da paz.
Contudo, é preciso fazer uma observação sobre a ideia que tradicionalmente embasa a Justiça Restaurativa, a qual seria um método ou técnica que busca solucionar conflitos e restaurar os danos que esse conflito trouxe. Penso que a proposta restaurativa é muito mais ampla. Primeiro, por que não é possível, muitas vezes, solucionar um conflito e, também, por que a pacificação social é uma busca inalcançável, eis que o desvio/conflito social é natural e até mesmo necessário para que se evolua.[2]
Pensa-se que a ideia restaurativa deva auxiliar os envolvidos e a comunidade à compreender os motivos do conflito, o que exige, quase sempre, uma auto compreensão e a compreensão do outro. A solução do conflito é secundária e poderá vir com a percepção dos múltiplos fatores que circundam e motivam as relações e o desvio.
Nesse sentido acentua Marcelo Nalesso Salmaso, que também percebe a Justiça Restaurativa “não como uma técnica de solução de conflitos – apesar de conter um leque delas –, mas como uma verdadeira mudança dos paradigmas de convivência, voltada à conscientização dos fatores relacionais, institucionais e sociais motivadores da violência e da transgressão, de forma a envolver todos os integrantes da sociedade como sujeitos protagonistas da transformação rumo a uma sociedade mais justa e humana”.[3]
A partir dessa perspectiva, tem-se que o instituto da restauração deve flexibilizar algumas questões, tais como a participação, frente a frente, de autor e vítima, por exemplo. Se a ideia deve ultrapassar a reparação, não se pode perder a oportunidade de trazer o autor do fato à reflexão, por que a vítima não se disponibiliza a participar deste processo.
A Justiça Restaurativa provém de uma abordagem sistêmica, como inserido no artigo 1, da Resolução 225/2016, do CNJ:
“A Justiça Restaurativa constitui-se um conjunto ordenado e sistêmico de princípios, métodos, técnicas e atividades próprias, que visa à conscientização sobre os fatores relacionais, institucionais e sociais motivadores de conflitos e violência…”
Essa visão é que possibilita a utilização das leis sistêmicas na Justiça Restaurativa, mesmo que sem a participação da vítima e, em algumas situações, até mesmo sem a participação do autor do fato.
A Justiça Restaurativa “tende à resolução do conflito ou situação‑problema subjacente, numa visão sistêmica (…). Diz‑se sistêmica uma abordagem capaz de identificar as diversas partes fracionárias de um conjunto, relacionando‑as simultaneamente com ele, de modo a compreendê‑las sempre como interdependentes do sistema como um todo. Essa compreensão sistêmica deve orientar o olhar, seja com relação às situações de conflito em si, seja com relação ao contexto em que será buscada a solução”.[4]
E é dessa possível e necessária correlação que surge o que se denomina de Justiça Restaurativa Sistêmica, ou seja, uma abordagem restaurativa a partir das leis sistêmicas de Bert Hellinger (hierarquia, pertencimento e equilíbrio).
Deixa-se claro que essa abordagem não afasta qualquer outra técnica, tal como o círculo da paz, mas amplia a proposta restaurativa, numa flexibilização de alguns predicados trazidos pela Resolução 225/CNJ. É, como toda visão sistêmica, integradora e comprometida em desvelar as questões ocultas do desvio.
Nessa quadra da história, precisa é a ressalva de que se “falar em Justiça Restaurativa e eleger um procedimento que tem raiz em práticas ancestrais é uma ousadia. É possível considerar esta ousadia e ver seus resultados em mudanças reais e efetivas na vida de pessoas e instituições. Mas só se dá quando há coerência no que se apresenta como uma outra forma de se lidar com o justo e o injusto, com a humanidade e suas contradições”.[5]
Ou, como lembra Zehr, “a Justiça Restaurativa não é mediação. Tal qual os programas de mediação, muitos programas de Justiça Restaurativa são desenhados em torno da possibilidade de um encontro facilitado entre vítimas, ofensores e, possivelmente, membros da comunidade. No entanto, nem sempre se escolhe realizar o encontro, nem seria apropriado. Além disso, as abordagens restaurativas são importantes quando o ofensor não foi pego ou quando uma das partes não se dispõe ou não pode participar. Portanto, a abordagem restaurativa não se limita a um encontro”.[6]
Se a Justiça Restaurativa já é uma proposta que supera a ideia punitivista, a Justiça Restaurativa Sistêmica é ainda mais inovadora, ao possibilitar que os envolvidos desejem muito mais do que a reparação, mas a compreensão dos motivos do conflito, abstraindo culpas e punições, na busca por uma cultura da paz.
Fabiano Oldoni é Professor, Advogado, Pesquisador com linha de pesquisa em Justiça Restaurativa e métodos de pacificação de conflitos, Doutorando pela Universidade do Minho/Portugal.
Márcia Sarubbi Lippmann é  Professora, Pesquisadora em mediação e conciliação, facilitadora em constelação sistêmica.

[1] Sobre o assunto, ver o pioneiro livro no Brasil: OLDONI, Fabiano; GIRARDI, Maria Fernanda G.; LIPPMANN, Márcia Sarubbi. Direito Sistêmico: Aplicação das leis sistêmicas de Bert Hellinger ao Direito de Família e ao Direito Penal. Joinville: Manuscritos, 2017.
[2] Nesse sentido Émile Durkheim.
[3] SALMASO, Marcelo Nalesso. Uma mudança de paradigma e o ideal voltado à construção de uma cultura de pazIn CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Justiça Restaurativa: Horizontes a partir da Resolução CNJ 225. 1. Ed., Brasília: CNJ, 2016, p. 22.
[4] FLORES, Ana Paula Pereira; BRANCHER, Leoberto. Por uma Justiça Restaurativa para o século 21.In CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Justiça Restaurativa: Horizontes a partir da Resolução CNJ 225. 1. Ed., Brasília: CNJ, 2016, p. 99.
[5] PENIDO, Egberto de Almeida; MUMME, Monica Maria Ribeiro; ROCHA, Vanessa Aufiero da.Justiça Restaurativa e sua humanidade profunda diálogos com a resolução 225/2016 do CNJ.InCONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Justiça Restaurativa: Horizontes a partir da Resolução CNJ 225. 1. Ed., Brasília: CNJ, 2016, p. 195.
[6] ZEHR, Howard. Justiça Restaurativa. Tradução de Tônia Van Acker. São Paulo: Palas Athena, 2012. p. 18-19.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Empoderamiento y Justicia Restaurativa

Posted: 13 Dec 2017 11:45 PM PST
El empoderamiento es algo positivo y constructivo. Vivimos en un mundo en el que casi todo es gestionado por personas ajenas a nosotros, el estado y las instituciones nos tratan muy a menudo como casi incapaces…un ejemplo: si tenemos un problema acudimos al juzgado y una vez lo hacemos, todo se gestiona por profesionales en un proceso en el que tenemos poco o nada que decir, cualquier profesional sabe lo que nos conviene, o parece saberlo, mejor que nosotros mismos.El punto de pérdida de poder llega al límite cuando el estado en una defensa desmedida de las víctimas de los delitos, pasa a convertirse en la víctima principal del delito, despojando a las víctimas reales de cualquier oportunidad de decidir, expresar su opinión y/o necesidades. Es lo que Nils Christie aseveró cuando dijo que el estado se apropiaba del conflicto y del delito. Quizá no se quiso hacer de forma abusiva, sino que en un intento de defender a las personas más vulnerables, sin embargo, esto quedó desvirtuado al erigirse el estado en dueño absoluto del delito y de lo que ocurra durante el proceso penal, sin tener en consideración que el crimen afectó a una persona de una manera traumática.

Por eso, la Justicia Restaurativa habla de empoderamiento, en favor de las víctimas, para que las personas afectadas por el delito tengan “voz” y puedan participar en la gestión del delito, su impacto y las consecuencias para el infractor. Se trata de incluirlas en el proceso como parte esencial que son,, esto sin duda, fomenta su responsabilización, y su capacidad para poder tener claro que su rol de víctima, debe ser temporal y no vitalicio. Este empoderamiento de las persona afectadas por el crimen se traducen en víctimas con más facilidad para despojarse de su rol y empezar el camino hacia su recuperación, pero también las víctimas son personas, y la Justicia Restaurativa, a través de este proceso de empoderamiento, las hace más responsables, seguras y maduras.

Pero para esta Justicia, el empoderamiento también pasa por el delincuente a través de su participación voluntaria y su asunción de responsabilidad por el daño cometido, así como por la oportunidad que va a tener para hacer las cosas bien.

El empoderamiento fomenta una actitud activa y constructiva del infractor, éste en lugar de limitarse a negar o justificar el hecho delictivo, asumirá de forma responsable su obligación de reparar o compensar el daño que causó, porque el delito ha creado obligaciones y éstas se deben cumplir por el responsable.

Y como no podía ser de otra manera, el empoderamiento de la Justicia Restaurativa también afecta a la comunidad, las personas que rodean a la víctima y al infractor también se ven “tocadas” por el delito, sufren daños emocionales y tienen una serie de necesidades. Pierden su sentimiento de seguridad y de confianza en los demás, y en las instituciones. El malestar de la sociedad cuando un delito especialmente si es muy grave, se comete es palpable y entendible porque el mundo “teóricamente pacífico” que les rodea se desquebraja. Para satisfacer mejor las necesidades de todos los afectados de una u otra forma por el delito, los procesos restaurativos priman la participación de todos ellos, incluida la comunidad. Su “voz” será escuchada y así sabrán que han sido tenidos en cuenta, también se genera en la comunidad ciertos valores como el diálogo y la empatía y será una sociedad más responsable, tolerante, madura, segura y satisfecha.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

¿Cuál es el final perfecto, para la Justicia Restaurativa?

Posted: 12 Dec 2017 11:40 PM PST
Me gustan los “finales felices”, sí, lo reconozco, me gustan las películas y los libros en los que los “buenos” tienen su recompensa y los “malos” reciben su castigo. Este sentimiento es muy humano y nos hace sentir seguros y tranquilos. Y es realmente a lo que nos han acostumbrado, desde que tengo uso de razón, los cuentos, las películas....todo gira en torno a esta ley "natural", el bueno es feliz...el malo, no.  Esto, sin duda, es la justicia retributiva y aparentemente nos hace felices, y nos hace incluso equiparar justicia, a castigo. Sin embargo, a la gente buena, le pasan cosas malas, sufren y en ocasiones se convierten en víctimas. Y además, por mucho que intentemos castigar al culpable para satisfacer esta necesidad retributiva, que es casi una obsesión, una vez más la víctima queda relegada y olvidada y vuelve una y otra vez a recordar que fue víctima y que sigue sintiéndose una víctima y no solo del delincuente sino del sistema, en general.
Me explico, el juicio deja un sabor amargo a la víctima, y es que con esta obsesión del sistema de justicia penal porque se cumpla la ley, porque el delincuente reciba su castigo y si es ejemplar, mejor, no nos damos cuenta de qué necesita, qué quiere o qué desea realmente la víctima. 

Es más todos, los implicados en el proceso penal parecen creer que saben lo que la persona que ha sufrido un delito quiere y qué es lo mejor para ella, y por supuesto esto pasa por un gran castigo al delincuente que en el caso, del que estoy hablando, intentó matar a su mujer. Sin embargo, se olvidan de explicar a la víctima, las normas legales existentes, que respetan ciertos derechos para los presos y que entre otras cosas por ejemplo, les concede permisos penitenciarios. En este momento, es cuando las víctimas, las personas buenas de las que hablaba, se chocan contra el “muro de la realidad” y se dan cuenta de que no es “oro todo lo que reluce” y que el castigo al “malo” no están literal como lo habían imaginado o se les había dicho. Además, todos; el sistema penal, medios de comunicación e incluso la sociedad se empeñan en creer que la víctima lo que desea es únicamente ese teórico final feliz, en el que el malo recibe todo el peso de la ley y es castigado lo más severamente posible. Y esto no es del todo cierto, por supuesto que no, aunque al principio los sentimientos, tras sufrir el delito sean negativos y cegados por el deseo de venganza, luego esto se va mitigando y transformando, en muchas ocasiones he oído decir a algunas víctimas: “quiero que sufra igual que he sufrido yo”, ¿acaso esto significa que reivindican una justicia retributiva, centrada en el castigo?, por mucho que el delincuente sea castigado, el dolor que sintió y siente la víctima no va a cesar de esta manera, aunque no lo creamos, las víctimas con esta afirmación, lo que hacen es reclamar un poco de empatía del delincuente, de la comunidad y del propio sistema penal, claman porque las personas, especialmente el delincuente, puedan ponerse en su lugar, aunque sea por un segundo.

Además hay otro final, más feliz, al que deberíamos intentar llegar, aquel en que el “malo” se arrepiente, se da cuenta del daño que ha hecho y cambia. Este final es el que más gustaría a las víctimas, porque tendrán la certeza que el delincuente no las va a volver a hacer daño ni a ellas ni a otras personas, y así se sentirán de nuevo seguras, pero además este final sería del agrado de la sociedad en general, porque también verán que hay menos posibilidades de que uno de ellos se conviertan en víctimas y el sistema penal, sabrá que tiene un “cliente” menos. ¿Es posible en todos y cada uno de los casos? Probablemente no, pero debemos intentarlo para conseguir un mundo mejor en que las víctimas se sientan satisfechas con la Justicia y la comunidad pueda sentirse más segura.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Adolescente beneficiária se destaca como mediadora de conflitos e facilitadora de círculos de diálogo em escolas e na comunidade

Las personas estamos hechas de "historias"

Posted: 12 Dec 2017 12:00 AM PST
Las personas estamos hechas de historias, esto es algo de lo que estaba convencida pero escucharlo de palabras de Héctor Valle, me hizo reflexionar todavía más. No en vano, es un experto en círculos. Yo he llevado círculos, pero sin duda, me queda mucho para considerarme una experta. Sin embargo, tras esta afirmación tengo claro que , desarrollar habilidades para trabajar con las personas que necesitan contar su historia es uno de los pilares fundamentales, para desarrollar cualquier programa de Justicia Restaurativa. Las historias son elemento clave en cualquier práctica restaurativa y en especial, en los círculos.  Porque en los círculos, vamos a tener personas que nos van a contar historias poderosas,  serán personas comunes y corrientes, que han experimentado un trauma y que tienen la capacidad de compartir esta historia de una manera transformadora, tanto para el que la cuenta como para los que la escuchan.  Por eso, para los facilitadores y siguiendo a Lynette Parker, es importante seguir unas pautas para guiar a estos contadores de historias:

1) Relación con los que van a contar su historia. Debemos aprender a mantener cerca a las personas y ofrecerles algunas pautas para su narración, sobre todo en casos de gran impacto para las personas. El trauma según los expertos como Rhor, reestructura y reorganiza el cerebro. Debemos ser un apoyo, un aliado. Para esto, nada mejor que enseñar a las personas que son los expertos en su historia, y animarlos a “contar”. Debemos creer en ellos, más que nadie, incluso ellos mismos.
.2) Debemos ser oyentes. Hay que escuchar  a la persona que tiene algo para compartir. Escuchar y escuchar. Puede ser útil reunirse y planificar lo que compartirán, así conoceremos bien a la persona y su historia.
3) Es importante,  el proceso de los círculos u otras prácticas restaurativas, para mí,  se pueden dividir en  Introducción  / relato de lo que pasó  / Impacto / Reflexión. La narrativa de la Justicia Restaurativa está diseñada para ser algo vivo, la historia puede cambiar con las diferentes etapas,  las experiencias y cómo el orador lo está haciendo, en ese día en particular.
También hay una narración alentadora cuando se le pide a todos en el Círculo que compartan alguna historia. "Todos somos expertos en nuestras propias historias", "todos podemos contar una historia; solo hay que pensar  en el comienzo, el medio y el final". Es especialmente importante contar historias, en los entrenamientos para ser facilitadores de círculos. Como he comenzado este relato, las personas estamos hechas de historias, lo poderoso de las prácticas restaurativas como los círculos, es que contar nuestras historias, nos acerca a otras personas como seres humanos, nos conecta y esto nos ayuda a sanar.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Pedir desculpas por comportamento predatório requer mais do que apenas dizer 'sinto muito'

Sobreviventes de abuso sexual e especialistas em justiça restauradora discutem os “bons” e “maus” pedidos de desculpas.


Em 2011 um colega de Angie* no Museu Nacional Smithsonian de História Natural a levou a um corredor isolado e agarrou suas nádegas sem seu consentimento. Alguns meses depois, a estudante pesquisadora recebeu um cartão colorido com "desenhos enfeitadinhos" do responsável pelo ato, o então doutorando Miguel Pinto. O cartão dizia apenas "sinto muito".
Angie contou que ficou indignada "com a estupidez e o absurdo" do pedido de desculpas. "Esse é o tipo de cartãozinho que a pessoa pode mandar para uma amiga cujo peixinho de estimação morreu", disse a cientista, hoje com pouco mais de 30 anos, ao HuffPost, falando ao telefone. "Para mim, o cartão trivializou o problema."
Pinto acabou admitindo para seu chefe e em entrevista ao site The Verge que apalpou Angie contra a vontade dela num evento de happy hour do museu. Mas disse que se tratava de um "flerte", não de agressão sexual. Nos cinco anos seguintes – até que Pinto acabou sendo expulso do museu, em 2016, após um acúmulo de outras acusações contra ele --, Angie disse ao The Verge: "Muitas vezes eu ficava tão deprimida que mal conseguia funcionar". Em vez de reconhecer quanto seu comportamento a havia afetado ou prometer que mudaria, Pinto nunca mais voltou a falar do assunto.
"Ele mentiu para uma mulher mais nova para conseguir ficar a sós com ela e então agarrou seu traseiro", disse Angie. "A ideia de que ele podia estar pedindo desculpas sinceramente parecia absurda."
No último mês o mundo vem assistindo a uma enxurrada de "meas culpas" públicas apresentadas por homens que foram expostos como predadores sexuais. Charlie Rose, acusado de assédio sexual por oito mulheres, disse ao Washington Post: "Peço desculpas sinceras por meu comportamento inapropriado. Estou envergonhado." Depois de o senador democrata Al Franken ter sido acusado de bolinar e beijar à força uma âncora de uma rádio, ele pediu desculpas e disse estar "enojado" com seu próprio comportamento. Tanto Harvey Weinstein quanto Louis C.K. expressaram "remorsos" depois de várias mulheres os terem acusado no New York Times de assédio sexual. E Kevin Spacey, comentando a acusação de conduta sexual inapropriada feita contra ele por Anthony Rapp, disse: "Se eu de fato me comportei como ele descreve, eu lhe devo um pedido sincero de desculpas".
Críticos ironizaram essas declarações, que descreveram como não sinceras (tanto Charlie Rose quanto Harvey Weinstein negaram algumas das acusações feitas contra eles), egoístas (quantas vezes Louis C.K. mencionou sua própria fama?) e que teriam a finalidade de desviar a atenção (será que Kevin Spacey teria realmente precisado se assumir como gay quando estava pedindo desculpas por comportamento sexual inapropriado?). De fato, estão longe de serem perfeitas.
Pedir desculpas por assédio ou agressão sexual é um processo complicado. A vítima muitas vezes quer algum tipo de reconhecimento por parte do perpetrador, especialmente quando ele –e quase sempre o perpetrador é homem – foi a única outra pessoa a testemunhar o incidente. "As vítimas querem muito que o que aconteceu seja reconhecido", comentou Tod Augusta-Scott, psicólogo que trabalha com homens no Canadá acusados de violência sexual e doméstica. "Querem que o perpetrador não negue o que fez, não minimize a importância do que fez e não coloque a culpa nelas."
Mas, como explicou por e-mail a psicóloga Lori Haskell, de Toronto, que trabalha com vítimas de violência sexual, "um pedido de desculpas incorreto pode deixar a vítima furiosa e se sentindo impotente. Um pedido positivo é um começo, algo que abre para a vítima a esperança de ser compreendida ou reconhecida."
Pedidos de desculpas feitos rapidamente e superficialmente logo depois do ato, como os que foram feitos por celebridades ou o que Angie recebeu de Miguel Pinto, confundem um arrependimento passageiro com um processo de assumir a responsabilidade pelo ato cometido, algo que exige muito mais tempo e energia.
"Na minha experiência, as vítimas quase nunca acreditam num pedido de desculpas feito imediatamente", disse a professora de saúde pública Mary Koss, que trabalha com vítimas e perpetradores de violência sexual no Arizona. "O que você vai fazer para reparar o mal que causou à vítima? Como você vai mudar para que não volte a cometer o mesmo ato? Essas perguntas não podem ser respondidas em 23 horas."
Esses pedidos de desculpas "a jato" às vezes são um ato egoísta, feito "muitas vezes pensando mais no responsável pela violência que na vítima", disse Koss.
Para Haskell, "um pedido de desculpas precisa ser uma oferta, e não um pedido velado feito à vítima do tipo 'aceite isso para que eu possa me sentir melhor'. A pessoa já tirou muito da vítima. Pedir ainda mais dela faz parte da mesma dinâmica do perpetrador que se sente no direito de pegar o que bem entender."
"Um pedido de desculpas incorreto pode deixar a vítima furiosa e se sentindo impotente."
Um homem com quem Allison* saiu algumas vezes tentou estuprá-la após uma noite em que os dois beberam muito. Dois anos depois, ela recebeu um e-mail dele. Embora eles nunca tivessem conversado em detalhes sobre o incidente, o homem disse que estava arrependido de seu comportamento. "Ele se desculpou mais porque estava se sentindo culpado e incomodado por ser o tipo de pessoa que faz algo assim", disse Allison, 28 anos, de Toronto. "Foi apenas uma coisinha passageira, tipo 'vou me desculpar e aí deixar esse incidente para trás'."
Allison disse que o tinha perdoado. Mas ela própria não sentiu nenhum alívio, não sentiu que tinha superado o que aconteceu. "A impressão foi que eu lhe dei um presente, o perdoei", ela comentou. "Um pedido de desculpas para valer seria: 'Sinto muito. O que eu fiz foi errado. Vou mudar de atitude, e eis o que vou fazer para mudar."
Allison continuei a sentir-se traumatizada pelo fato de alguém de quem ela gostava e em quem confiava a ter violado. Isso abalou sua autoconfiança tremendamente. "O pedido de desculpas dele não me ajudou em nada a superar o problema", ela explicou. "Não é como pedir desculpas a alguém em quem você deu um tapa. É uma violação emocional tremenda. Falar sobre o que você precisa em um pedido de desculpas requer falar do trauma e aquilo que você fez a pessoa passar."
No mundo legal, o processo pelo qual um psicólogo ajuda uma vítima e um perpetrador a mediarem um incidente se chama justiça restaurativa. A maioria dos programas organizados de justiça restaurativa nos Estados Unidos é voltada a delitos menores, mas existem programas em Portland (Oregon) nos quais perpetradores de violência doméstica têm que ouvir vítimas de outras pessoas descrever o que passaram. Em Duluth, Minnesota, há programas de justiça restaurativa em que vítimas, membros de comunidades e perpetradores podem discutir como estes últimos serão responsabilizados pelas agressões cometidas. Em muitos desses programas, os planos de responsabilização são desenvolvidos com a colaboração das vítimas. Geralmente incluem acompanhamento psicológico dos perpetradores, trabalho voluntário e, em alguns casos, indenização financeira.
De acordo com Augusta-Scott, mesmo sem a estrutura de um programa formal, um dos objetivos básicos da justiça restaurativa – o desejo de promover a responsabilização real – pode ser alcançado com sessões de terapia individuais e conversas a dois com os perpetradores. O psicólogo pode ajudar os perpetradores que querem se responsabilizar por seus atos passados a "procurar uma aproximação com as vítimas individuais e perguntar a elas: 'Como você vivenciou o que aconteceu, e quais foram os efeitos? O que ajudaria a reparar e curar os males que você descreve que sofreu? O que eu posso fazer para fazer parte da solução?"
Augusta-Scott disse que os perpetradores homens com quem ele tem contato geralmente não se dão conta do impacto de seus atos – do trauma, do medo e do sofrimento que provocaram – enquanto não ouvem uma sobrevivente relatar o que sofreu em suas próprias palavras. Na realidade, ele observou, os perpetradores muitas vezes se esquecem completamente de alguns incidentes ou os recordam errado. (Quando Louis C.K. entrou em contato com uma de suas acusadoras para pedir desculpas, pediu desculpas por uma ofensa totalmente diferente, envolvendo outra mulher.)
"Quando o perpetrador pede desculpas primeiro e faz perguntas depois, ele nem sequer sabe direito pelo que está pedindo desculpas", disse Augusta-Scott. "Ele ainda não ouviu, ainda não refletiu."
Numa sociedade em que as pessoas frequentemente não acreditam muito nas vítimas de assédio e agressão sexual, o ato de pedir desculpas ainda pode ser um primeiro passo muito importante.
Se as vítimas têm interesse em ter um diálogo, disse Augusta-Scott, são também elas que devem definir o que significa a responsabilização. Por exemplo, quando Molly* foi agredida sexualmente por uma pessoa genderqueer em 2012, disse à pessoa em mensagem no Facebook exatamente o que precisava: "Admita o que você fez, diga que você não vai fazer de novo ou que vai se esforçar para não voltar a fazer no futuro, e diga que sente muito porque me fez sentir uma merda".
O agressor de Molly, 30 anos, acabou assumindo a responsabilidade por seu ato, de uma maneira "gentil e bastante generosa", ela disse, mas mais tarde ela testemunhou ou foi informada sobre o mesmo agressor bolinando outras pessoas ou as coagindo em situações íntimas. "O pedido de desculpas foi perfeito no papel", ela disse. "Mas os atos não corresponderam às palavras."
Um aspecto crucial da responsabilização envolve realizar ações concretas, disse Koss. Quando ela promoveu um programa de justiça restaurativa por crimes de agressão sexual, as vítimas se preocuparam mais em saber que os agressores tinham se comprometido a mudar de atitude do que em ouvir as palavras "peço desculpas".
"As vítimas querem saber que a pessoa está tendo um acompanhamento psicológico legítimo que impeça esse crime de ser repetido com outras pessoas", disse Koss. "Querem assegurar-se de que o agressor não vai persegui-las." Querem ouvir dele "não foi sua culpa, e você não fez nada para merecer isso".
Em alguns casos, as vítimas podem nem sequer desejar um pedido de desculpas. Ou podem não querer nenhum contato com o agressor. Claire*, 27 anos, foi atacada sexualmente no primeiro semestre da faculdade enquanto tentava dormir. Ela não vê grande valor em um pedido de desculpas. "Isso não vai me devolver o tempo que perdi, o dinheiro que gastei ou os relacionamentos que prejudiquei tentando superar o que me foi feito", ela explicou em um e-mail. "Mas meu agressor poderia assumir a responsabilidade pelo que fez, procurando terapia para tentar entender por que fez aquilo. Será que ele atacou mais alguém depois de mim? Eu fui a primeira pessoa que ele atacou? São coisas a levar em conta quando analisamos sua capacidade de se responsabilizar pelo que fez. É ele quem tem que garantir que isso não se repita nunca mais."
Algumas vítimas querem se envolver pessoalmente no processo do agressor de assumir a culpa por seu comportamento. Quando o ex-namorado de Attiya Khan lhe pediu desculpas, 11 anos depois da época em que a espancava diariamente, ela enxergou isso como oportunidade de lhe cobrar responsabilidade à sua própria maneira. A canadense, que hoje tem 43 anos, pediu ao ex que participasse de um filme que ela co-escreveu e dirigiu, no qual eles tiveram conversas mediadas sobre as agressões, diante das câmeras. Ele concordou, e ao longo de dois anos filmando juntos, Khan disse que a parte mais importante do processo foi ele ouvir as descrições que ela fez dos incidentes de violência. O documentário resultante, "A Better Man" , estreou em Nova York há algumas semanas e seria exibido em todo o Canadá em novembro. Sarah Polley é uma das produtoras executivas.
"As palavras 'sinto muito' não eram importantes para mim", disse Khan. "O importante era eu poder dizer a ele exatamente o que ele tinha feito. Isso foi algo que me deu grande satisfação."
Numa sociedade em que as pessoas frequentemente não acreditam muito nas vítimas de assédio e agressão sexual, o ato de pedir desculpas ainda pode ser um primeiro passo muito importante. Mas dizer "sinto muito" não é uma panaceia. Enquanto cada vez mais vítimas se apresentam para relatar os casos de violência sofridos, é importante falarmos do que é assumir a responsabilidade real pelo que foi feito. Para muitas sobreviventes de assédio e agressão, esse processo envolve um processo individual de justiça restaurativa que faça sentido para elas e seus agressores. Para os agressores, requer mais do que meras palavras faladas ou escritas.
Há sinais positivos, pelo menos no papel, de que pedidos de desculpas de homens famosos possam conduzir a mudanças reais. Louis C.K. disse que agora vai "recuar um passo e fazer uma pausa longa para ouvir". Al Franken disse: "entendo por que precisamos ouvir as experiências das mulheres e acreditar nelas".
Esperemos que essas declarações não sejam apenas palavras vazias, mas representem compromissos concretos.
*O nome foi mudado ou o sobrenome foi omitido.

¿A qué lobo quieres alimentar?

Posted: 11 Dec 2017 12:00 AM PST
Lo que tiene la magia del cine es que te enseña siempre algo y a menudo, puedes extraer algo para tu vida cotidiana, pues bien, hoy quiero recordar una historia que escuché en la película Tomorrowland:
-Hay dos lobos que están siempre luchando. Uno es la oscuridad y la desesperación. El otro es la luz y la esperanza. La pregunta es: ¿cuál de los lobos gana?
-El que tú alimentas.Y ¿que tiene que ver con la Justicia Restaurativa?, pues mucho...veamos cuando el delito se comete, gana la oscuridad para el infractor y para la víctima. La víctima se siente aislada, incomprendida, humillada y sobre todo, sin comprender por qué a ella. En el infractor, también gana el lobo malo, el oscuro que le ha dado las "alas" suficientes para cometer el delito, así van a sentirse aislados como las víctimas y señalados como el delincuente que no tiene posibilidad de reinserción. 

Con la Justicia Penal tradicional, no se alimenta al lobo bueno, no se da la posibilidad al infractor de encontrarse con su "humanidad" y de ver que puede hacer lo correcto y que si lo hace, la sociedad y el sistema lo va a ayudar, no alienta una actitud positiva y constructiva, no fomenta que resurja el lobo que es luz y esperanza. Para la víctima tampoco es mejor, puesto que la Justicia tradicional una y otra vez, la hace recordar lo malo, la oscuridad, y pocas veces alimenta el lobo bueno, no la ayuda a tener esperanza y poder cambiar o más bien transformar lo malo que ha sufrido en algo mejor...la Justicia tradicional alimenta el lobo oscuro en la víctima, lo que la hace no poder quitarse el rol de víctima y sentir que al fin y al cabo nadie atiende sus necesidades.

En cambio, la Justicia Restaurativa trata de alimentar al lobo que es luz y esperanza para víctima, infractor y comunidad. Asume que el lobo que es oscuridad , puede haber "ganado" pero que es posible vencerlo con esperanza en que el infractor pueda comprender el impacto de su delito, y ver que su acción,dañó a otro ser humano. Este simple acto de ver la humanidad en la víctima, puede llevarlo a no querer volver a delinquir porque no quieren dañar a otro ser humano, es sin duda, un intento de alimentar al lobo que da esperanzas en que puede ser mirado por lo bueno que haga desde ese momento en adelante y no por lo malo que hizo en el pasado. De la misma manera, para la víctima, la justicia restaurativa trata de alientar el resurgimiento del lobo esperanza, que la ayude a poder comenzar su "camino" hacia la sanación tras el daño sufrido. Cada víctima es un mundo, unas tardarán más en recuperarse y otras menos, pero la Justicia Restaurativa alivia este camino.....haciendo que el lobo bueno, las ayude. 
En definitiva, la Justicia Restaurativa es una forma de tener esperanza en que es posible recuperar a algunos infractores y que puedan abandonar su carrera delictiva, de la misma forma es una oportunidad para que la víctima pueda despojarse de su rol de víctima y sentirse superviviente.
En una lucha entre el lobo oscuridad y el lobo esperanza, esta justicia apuesta por dar siempre una oportunidad de que víctima e infractor se reencuentren con su humanidad perdida y olvidada, se reconozcan ambos como personas que son, y al final, puedan recuperar el control de su vida. No es la panacea para todos y cada uno de los casos pero sin duda, es una puerta abierta a un futuro más bonito para personas que han sufrido un delito y para otros que lo han causado.

Lages deverá contar com a Justiça Restaurativa

O juiz Takashima esteve reunido com o prefeito Ceron - Foto: Dionathan Sousa/Divulgação
O prefeito de Lages, Antonio Ceron, recebeu o juiz de Direito do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), Alexandre Takashima, que falou sobre o funcionamento da Justiça Restaurativa e a implantação do sistema em Lages. As secretárias de Política para a Mulher e Assuntos Comunitários, Marli Nacif, e de Educação, Valdirene Vieira, acompanharam a conversa. “A Justiça Restaurativa já existe desde 2002 no país. Em Caxias do Sul (RS), existem exemplos positivos da aplicabilidade dos ciclos de Justiça Restaurativa. É um trabalho realizado em conjunto com o poder executivo, instituições de ensino, associações de moradores e demais entidades, com a finalidade de resolver os conflitos na sociedade”, explica Takashima.
Em Santa Catarina, apenas Florianópolis e Lages contam com os polos de Justiça Restaurativa, que foram implantados através da resolução nº 225, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em Lages, 45 facilitadores voluntários foram capacitados pelo TJ-SC e estão aptos a utilizar as técnicas em casos de violência doméstica, na infância, juventude, família. Conhecido como um processo colaborativo voltado para a resolução de conflitos na sociedade, em casos de crimes e agressões, a Justiça Restaurativa visa a propagar a cultura de paz, através do acolhimento e diálogo com os envolvidos.

¿Quiénes son los afectados por el delito?

Posted: 09 Dec 2017 01:41 AM PST
A veces obviamos quiénes son víctimas tras un delito, por ejemplo, pensemos en la muerte de un chico a manos de otro chico. Mientras que es normal que nuestra preocupación, se centre en  la pérdida de los padres de la víctima, nos suele pasar por alto,  la pérdida a la que los padres del victimario , se enfrentan, y es ver cómo sus hijos, han causado un daño a otros seres humanos. Muchas veces, cuando se explica a  los victimarios acerca de la reparación del daño causado (como dice Lynette Parker) , para ellos,   la lista no se reduce a la víctima directa, sino los diversos miembros de sus propias familias que han sufrido  su comportamiento y esto me hace ver qué realmente es posible hacerles reconectar de nuevo, a muchos de ellos  con la comunidad, como personas “nuevas” y que los procesos restaurativos son muchas veces la clave, ¿por qué?

 Porque al tratarlos como seres humanos, recuperan la humanidad que tenían perdida u olvidada y alcanzan un grado de responsabilización por su conducta, mucho más sincero que si acuden solamente al proceso penal tradicional. Y esto es precisamente porque el proceso penal tradicional, gira en torno a ellos como delincuentes y al estado como ofendido, no hay humanidad en el proceso y al ser tratados exclusivamente como delincuentes, el estigma recae sobre ellos como una losa y se lo acaban creyendo.  
Otros afectados por los delitos y que frecuentemente permanecen ocultos para la Justicia Penal Tradicional, son los niños que sufren el impacto de sus padres y madres, encarcelados.
Existen estudios que dicen que el encarcelamiento de la madre o padre, puede afectar negativamente a los niños tanto emocional y materialmente. Estos sufren por ejemplo  desde la pérdida de las relaciones, debido a que los padres cumplen su sentencia, en una cárcel, lejos de sus seres queridos,   las preocupaciones de los niños de  quedar atrapados en conductas antisociales o quizá  los temores en relación a la reinserción de los presos, en este caso, la angustia de pensar qué pasará con su padre o madre, después de que salgan de prisión.
Algunos pensaréis , ¿qué tiene todo esto que ver con la Justicia Restaurativa? Bueno, en mi opinión, la verdadera justicia se acuerda de los que permanecen ocultos. Una justicia que sirve a las necesidades de todos los perjudicados por el delito,  traerá a la luz a todos los que están en la sombra y recordará a todos aquellos, que han sido perjudicados por la delincuencia. 

Esto implica que  las consecuencias de la conducta infractora se producen en el contexto de las relaciones con las víctimas, los familiares de la víctima y el infractor y la comunidad. Es una justicia que ofrece la oportunidad de abordar el daño causado por la delincuencia, sin causar más.

La Justicia Restaurativa ofrece sólo una oportunidad. Esto va más allá de los procesos de restauración de reunión víctima-victimario, conferencias, o círculos. Cambia la forma de entender la justicia y hace que sea sobre satisfacción de las necesidades, así como reprochar el daño,  de una forma no negativa sino constructiva.  Mediante la comprensión de la Justicia en términos de daños, necesidades y relaciones, somos capaces de desarrollar procesos de Justicia sin dejar a nadie, sin ser escuchados.

Justiça Restaurativa: Marco Teórico, Experiências Brasileiras, Propostas e Direitos Humanos

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